29º Simposio Internacional de ELA em Glasgow na Escocia

Jornada Multidisciplinar Sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em Recife-PE
11 de novembro de 2018
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29º Simposio Internacional de ELA em Glasgow na Escocia

A Associação Pró-Cura da ELA participou de vários eventos realizados pelas Associações de ELA nível mundial, representada pelo nosso querido presidente Sr. Jorge Abdalla e por nossa diretora técnica Dra. Alessandra Dorça. Sendo reuniões com os membros da UNELA, com os membros da Aliança Internacional de Associações de ELA e o 29º Simpósio Internacional de ELA. Assista os videos do Simpósio, Clique Aqui.

 

 

Dia 03/12

Realizamos neste dia parte de uma reunião da UNELA, a União Latino-americana de ELA. Essa reunião teve sequência na quinta-feira dia 06/12 à tarde. 

 

 

 

 

Dia 04/12

Nesse dia tivemos nosso primeiro dia de Reunião da Aliança das Associações de ELA, mais de 40 Associações de ELA/ALS reunidas por uma mesma causa, momento eleger a nova Presidente da Aliança Internacional de ELA. Trata-se da atual Presidente e CEO da ALSA, a Associação Americana de ELA, Calaneet Balas para o mandato de 2019.

 

 

 

 

 

Dia 05/12

No final da manhã foi brilhante a apresentação do médico canadense, Dr. David Taylor. Na parte da tarde tivemos uma sessão superinteressante onde alguns médicos “experts” em ELA, os maiores especialistas do mundo, palestraram e esclareceram as dúvidas dos dirigentes das Associações. Vamos colocar aqui para vocês as informações mais interessantes nos próximos slides. A primeira do Professor Brian Dickie que palestrou o tema: O QUE CAUSA A ELA?

A segunda professora a palestrar a tarde foi a Dra. Dame Pamela Shaw que palestrou com o tema: A Chave do Desenvolvimento atual para as pesquisas da ELA e um Olhar para o futuro.

A terceira palestra dos experts nessa tarde foi sobre Células Tronco. Todavia não como sempre pensamos nela, como tratamento e sim a importância de seu uso como biomarcador. A Palestra foi dada por dois médicos ingleses Dr Arpan Metha e Dr. Bhuvaneish Selvaraj. No fim da tarde, na sessão “Pergunte ao Especialista” a última médica a conversar conosco foi uma das maiores especialistas do mundo. A médica Profª Orla Hardiman do Trinity College de Dublin na Irlanda.

 

 

Dia 06/12

A UNELA expôs os fundamentos do programa de formação para profissionais aos cuidado das pessoas que vivem com ELA e a respeito de parcerias de ELA no mundo e à indústria farmacêutica.
Convidamos e compareceram os representantes da EUpALS, The International Alliance of ALS / MND Association, The ALS Association, MND Australia, ALS Liga-Ligue SLA, Cytokinetics REDELSEMTIV – FORTITUDE-ALS e da Mitsubishi Tanabe, fabricante do EDARAVONE.
Duas gigantes mundias e grandes Associações de ELA do mundo todo ficaram entusiasmadas com o projeto que apresentamos entre a UNELA e o EMORY ALS CENTER sob a supervisão do Dr. Jonathan D. Glass www.unelatinoamerica.org.

 

Essa é foto do grupo de todos os representantes das Associações que estavam presentes em Glasgow em dezembro de 2018 para a reunião da The International Alliance of ALS / MND Associations. Pela Pró-Cura da ELA estavam seu Presidente e CEO Jorge Abdalla e sua Diretora Técnica Alessandra Dorça. Ano que vem, Perth, Austrália.

 

Dia 07/12

Foi dada a largada para o 29º Simpósio Internacional de ELA.

 

 

 

A MND Escócia convidou a Princesa Anne, filha da Rainha Elizabeth II, que veio a Glasgow exclusivamente para a abertura do 29º Simpósio Internacional de ELA. A Princesa fez um lindo discurso em favor de um mundo livre da ELA. Momento lindo, emocionante e cheio de glamour.

 

 

 

 

Tivemos uma importante palestra que vem de encontro com que nossas nutricionistas vêm falando no Brasil. Quem se lembra da aula da Jeniffer Dutra em Junho de 2018, ela fala sobre Microbiota e a importância dos probióticos. E esse foi o tema dessa palestra do Dr Cryan da Irlanda.

 

Definindo a ELA; O GRANDE DEBATE! NEM SEMPRE PARECE SER O QUE VEMOS! 

As pessoas que vivem com ALS / MND experimentam incerteza quando se deparam com decisões sobre opções de gerenciamento de sintomas e escolhas de qualidade de vida. Os profissionais de saúde também não têm certeza do momento ideal para discutir as decisões de tratamento com pacientes e familiares. As informações de manejo dos sintomas fornecidas aos pacientes são frequentemente confrontadas e sinalizam deterioração irreversível.

Antecedentes: ‘Vulnerabilidade seletiva’ é o termo usado para descrever a suscetibilidade diferencial de subtipos celulares a patomecanismos de doenças. Essa vulnerabilidade é particularmente aparente na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), onde mesmo as populações de neurônios motores anatomicamente distintas, relacionadas funcionalmente, são afetadas diferencialmente. Um fenótipo de hiperexcitabilidade cortical foi descrito em pacientes com ELA pré-sintomático, postulados como sendo causados ​​pela degeneração de interneurônios inibitórios GABAérgicos.

 

O PBR28 é ​​um radioligando de Tomografia por Emissão de Pósitrons (PBR28-PET) que se liga à glia ativada. PBR28 é ​​um biomarcador molecular in vivo para aumento da ativação glial nos córtices motores de pessoas com ELA (PALS).

Agregados citoplasmáticos neuronais contendo a proteína de ligação ao DNA TAR nuclear 43 (TDP-43) são caracteristicamente observados nos neurônios corticais da degeneração lobar frontotemporal (DLFT) com patologia TDP-43 (FTLD-TDP), e nos neurônios motores inferiores dos casos com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A presença desta proteína patológica compartilhada reforçou a teoria de que o FTLD e ALS representam duas extremidades do mesmo continuum de doença, com mecanismos similares provavelmente ligados à hiperfosforilação, ubiquitinação e clivagem anormais do TDP-43 patológico. No entanto, é importante ressaltar que as comparações quantitativas das morfologias de inclusão de TDP-43 nas regiões corticais de predileção de casos de FTLD, FTLD-ALS e ALS não foram realizadas.

 

Contexto: O comprometimento cognitivo está presente em aproximadamente 50% dos pacientes com ELA sem FTD (1); no entanto, a disfunção da rede subjacente a deficiências cognitivas específicas na ELA ainda não é clara. Negatividade Mismatch (MMN) é um potencial de resposta evocado pelo EEG gerado principalmente por redes pré-frontais e temporais durante o deslocamento da atenção involuntária (2), que, portanto, pode fornecer uma medida quantitativa da função desses circuitos. Descobertas recentes identificaram aumento significativo do atraso médio do MMN, indicando disfunção em sua rede de geração em ELA (3); no entanto, o espaço do sensor EEG fornece poucas informações sobre as fontes que contribuem para essa interrupção devido à sua baixa resolução espacial. Métodos de localização da fonte podem ser usados ​​para identificar a localização e atividade das fontes subjacentes a esses sinais neuroelétricos, fornecendo resolução espacial semelhante à fMRI (4) combinada com a capacidade do EEG de medir diretamente a atividade neural com excelente resolução temporal. A localização e as mudanças na atividade das fontes cerebrais que mediam a disfunção cognitiva, como aquelas envolvidas na resposta do MMN, podem desvendar a patologia não-motora de ELA em nível de rede.

Antecedentes: A escala ALSFRS-R é validada para medir a progressão da doença na ELA. A decadência do ALSFRS-R varia profundamente entre e dentro dos indivíduos ao longo do tempo. O modelo D50 tenta abordar essa complexidade fenotípica e reduz o ruído inerente à escala, incluindo a taxa de progressão (RP = 48-ALSFRS-R / duração da doença). O modelo usa perfis de perdas funcionais individuais para descrever matematicamente a transição de saúde total para perda de função.

 

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença complexa, causada por fatores genéticos e ambientais, em vários aspectos. Estudos anteriores avaliaram associações entre ELA e fatores de risco ambientais ou fatores genéticos, mas interações gene-ambiente e causalidade de fatores de risco ambientais para ELA não foram estudadas anteriormente, ou seja, pode fatores ambientais influenciarem a mutação do gene C9ORF72?

Tem sido proposto que a difusão de lesões patológicas na ELA siga uma dispersão ordenada tanto no nível cortical como no nível espinhal, provavelmente relacionada à disseminação da patologia do TDP43 ao longo de vias definidas. No entanto, ainda não está claro se o fenótipo motor da ELA é um processo estocástico ou se segue caminhos específicos.

O estresse psicológico tem sido sugerido como relevante para a patogênese de distúrbios neurodegenerativos, como a ELA, possivelmente por meio da geração de radicais livres de oxigênio.

Pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a forma mais comum de doença dos neurônios motores (DNM), e seus familiares têm um risco aumentado de distúrbios neuropsiquiátricos. Além disso, alterações cognitivas e comportamentais são comuns na DNM, ocorrendo em aproximadamente 50% dos casos, com 15% dos critérios de atendimento para demência frontotemporal (DFT). Esses achados sugerem uma sobreposição etiológica entre DNM, DFT e transtornos neuropsiquiátricos. No entanto, atualmente não se sabe se os distúrbios neuropsiquiátricos se relacionam com a presença de alterações cognitivas e / ou comportamentais na ELA. Vamos ver o que o estudo nos mostra!

 

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é um distúrbio neurodegenerativo fatal, com uma sobrevida média de 33 meses. Uma forte ligação clínica e molecular entre a ELA e a demência frontotemporal foi identificada, exemplificada por uma expansão de repetição intrônica de GGGGCC em C9orf72. Estudos recentes sobre o estágio de doença pré-sintomática de portadores de mutações C9orf72 confirmaram mudanças estruturais, de conectividade e cognitivas antes do início da doença. O envolvimento do cerebelo na patologia prodrômica de C9orf72 permanece controverso.

Expansões repetidas de C9orf72 são a causa mais comum identificada de degeneração frontotemporal (DFT) e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Com o surgimento de terapias direcionadas para C9orf72, é essencial identificar marcadores precoces de neurodegeneração. Indivíduos pré-sintomáticos com uma expansão C9orf72 (pC9orf72) estão em alto risco de desenvolver DFT ou ELA, e fornecem uma oportunidade única para identificar as características neuroanatômicas mais precoces da neurodegeneração.

 

Antecedentes: Mutações em C9Orf72 são a causa mais comum de ELA familial e degeneração frontotemporal (DFT) e também representam até 10% dos casos aparentemente esporádicos. As mutações nos genes de proteína tau (MAPT) e progranulina (GRN) associados a microtúbulos, por outro lado, estão altamente associadas a uma variedade de fenótipos de DFT, mas não à ELA. Uma hipótese intrigante para explicar parcialmente a interação complexa entre o genótipo e o fenótipo é que genótipos distintos podem conferir vulnerabilidade regional-seletiva diferente à neurodegeneração, contribuindo para o surgimento de fenótipos clínicos separados. No entanto, estudos de ressonância nuclear magnética (RNM) cranioencefálica em fases de doença pré-sintomática são raros e a maioria deles aplicou análises estruturais de imagem que podem falhar na detecção de alterações cerebrais sutis antes do início da doença.

 

Na apresentação sobre Ibudilast, foi falado que nos estudos ele tem apresentado resultado positivo com melhor eficácia no início do diagnóstico. Ibudilast está em fase III nos estudos na ELA, no Japão ele já é comercializado no tratamento da EM. Para ver a apresentação sobre o Ibudilast no Simpósio, Clique Aqui.

Posters da Associação Pró-Cura da ELA exibidos no 29° Simpósio Internacional de ELA, trabalho brilhante da nossa querida diretora técnica e fisioterapeuta Dra. Alessandra Dorça. Tivemos também o trabalho do nosso querido amigo, fisioterapeuta e voluntário na Associação Pró-Cura da ELA, Eduardo Vital com colaboração da nossa queridíssima Conselheira, voluntariosíssima e amiga Simone Andrade.

 

Dia 08/12

Atualmente, não há tratamentos farmacológicos aprovados para o tratamento de fala prejudicada ou deglutição em pacientes com ELA; no entanto, demonstrou-se recentemente que o dextrometorfano / quinidina (DM / Q, nome comercial Nuedexta), uma combinação de medicamentos aprovada para o tratamento da emotividade lábil em pacientes com ELA e transtornos afins, melhora a função bulbar em pacientes avaliados durante uma Fase de 70 dias II teste de tratamento. Um subgrupo de pacientes do estudo de desenho cruzado duplo-cego foi subseqüentemente reavaliado por meio de análises de fala baseadas em computador e avaliações médicas especializadas da gravidade geral da fala.

A Disartria no MND pode ser um dos sintomas mais difíceis de aceitar e controlar. À medida que a fala se torna cada vez mais ininteligível, muitos dependem da comunicação aumentativa e alternativa (AAC). Os auxiliares de comunicação de saída de voz (VOCAs), enquanto facilitam a comunicação, não podem preservar a identidade do indivíduo, devido a vozes sintéticas genéricas impessoais. A incapacidade de aceitar uma voz alternativa tem sido citada como razão para o abandono de CAA em pessoas com MND (pwMND) (1). A preservação da identidade através de serviços bancários de voz e vozes sintéticas personalizadas está aumentando, no entanto, o processo pode ser desgastante, demorado e inacessível onde a fala é prejudicada.

 

Euro-Motor: Um estudo multicentrico para saber se pessoas com doenças pré-existentes tem um risco maior de desenvolver a ELA

Contexto: A compreensão atual da degeneração do neurônio motor na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é baseada principalmente no estudo de subtipos genéticos. A descoberta de novas causas genéticas de doenças oferece uma poderosa plataforma para construir modelos de doenças e identificar alvos terapêuticos, particularmente quando o novo gene ocorre em uma via funcional distinta.
Objetivos: Identificar uma nova variante genética da ELA. Desenvolver modelos celulares e animais para caracterizar a via patológica que liga esta variante à perda de neurónios motores.

Resultados: Apenas uma variante genética estava presente em ambos os membros da família com ELA autossômica dominante, ausente nos controles (n = 220 locais, n = 60.000 no ExAC) e encontrada em casos adicionais de ELA (n = 4). Antes da primeira publicação, o gene deve ser referido como um “gene novo”. Nenhum paciente com uma mutação este novo gene teve uma mutação coexistente em um gene conhecido de ALS, e a doença estava dentro do espectro de sALS. 5 pacientes com mutações p.R92C sofreram doença mais agressiva com sobrevida média de 13 meses, mas o único paciente com uma mutação p.G78W viveu> 5 anos.

 

O ICC mostrou a localização da nova proteína na rede de Golgi em células N2A e HEK293. Quando comparado com a proteína WT, mostramos que as formas mutantes são citotóxicas e reduzem o metabolismo celular, consistente com uma toxicidade de ganho de função. A mutação p.R92C foi mais tóxica que p.G78W em todos os ensaios, o que está em linha com a gravidade clínica observada. Knockdown do novo gene produziu um fenótipo motor em embriões de peixe-zebra em 5 dias após a fertilização, sugerindo que o novo gene é parte integrante da função do sistema motor.

Discussão e Conclusões: Esta nova proteína é expressa em neurônios e acredita-se que se localize na rede de Golgi. Funcionalmente, a proteína é pouco caracterizada, mas contém um domínio glicosiltransferase. A atividade da glicosiltransferase está associada à síntese de gangliosídeos, que é interrompida na ELA. Esta é a primeira vez que um gene nessa via foi identificado em pacientes com ELA, oferecendo uma excelente oportunidade para intervenção terapêutica.

 

Antecedentes: Na ELA, a ventilação não invasiva (VNI) é eficaz em prolongar a sobrevida [1] e manter a qualidade de vida (QV) [2]. Em nossa experiência, alguns pacientes demonstram um acentuado declínio respiratório durante o intervalo de três meses entre as avaliações de rotina, levando à dispnéia que resulta no uso de emergência, hospitalização, início emergente de VNI ou intubação / ventilação emergente. O uso de monitorização respiratória frequente e remota pode permitir o início precoce da VNI e, assim, potencialmente aliviar as complicações respiratórias ou melhorar a QV.

A participação em ensaios clínicos é onerosa para pacientes com ELA devido a visitas hospitalares frequentes e extensas avaliações de perda funcional, função pulmonar e força muscular. Esse ônus leva a um subconjunto seletivo de pacientes que participam dos testes, o que limita a generalização dos resultados dos testes e compromete as taxas de matrícula.

Os ensaios clínicos dependem de pacientes que viajam com frequência para estudar locais. A medida de resultado é limitada pela variabilidade devido a avaliações infrequentes. A medição dos desfechos em casa reduziria a carga de testes clínicos, e a amostragem mais frequente reduz a variabilidade da medição. Queríamos determinar se os pacientes poderiam medir com segurança os resultados em casa e se tolerariam medições frequentes. Também examinamos a utilidade de um novo ponto final de fala, tanto para determinar mudanças na fala ao longo do tempo, quanto para ver como a fala muda com aspectos relevantes da Escala de Avaliação Funcional de ELA.

 

As Medidas de Resultados Relatados pelo Paciente (PROMs) são componentes importantes das atuais práticas de prestação de cuidados de saúde baseadas em valores. As PROM medem diferentes aspectos da saúde, como sintomas, qualidade de vida e estado funcional do ponto de vista do paciente. As PROMs são consideradas medidas de resultado valiosas porque a informação obtida dos pacientes é, por definição, não modificada pela interpretação dos profissionais de saúde. Existem poucos dados sobre a aplicação do PROMS nas práticas de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Antecedentes: A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa implacavelmente progressiva, universalmente fatal e relativamente comum; O risco vitalício é de 1/400 no Reino Unido. Atualmente não há terapia efetiva modificadora da doença. 10% da ELA é autossômica dominante. Progresso significativo tem sido feito na identificação de causas monogênicas da ELA, mas os complexos padrões de herança subjacentes à maioria das doenças são pouco compreendidos. Além disso, estudos de associação genômica ampla sugerem que a maioria da herdabilidade de ELA ausente está distribuída por regiões cromossômicas não-codificadoras. Métodos não lineares de aprendizado de máquina, como redes neurais artificiais, são capazes de modelar padrões complexos de herança, ao contrário das abordagens lineares tradicionais.

 

Antecedentes: A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) tem uma incidência semelhante em diferentes regiões geográficas, mas é relacionada à idade e mais frequente em homens. A ELA tem um pico de incidência entre 65 e 75 anos, sendo menos comum em pessoas com 80 anos ou mais, possivelmente devido ao subdiagnóstico. Além disso, este último grupo não é incluído em ensaios clínicos, por estas razões não é bem conhecido as características clínicas e prognóstico desta população específica.

O Scottish Motor Neurone Disease Register (SMNDR) (relançado como a plataforma de Pesquisa e Avaliação de Auditoria Clínica da MND (CARE-MND) em 2015) coletou informações fenotípicas clínicas de pessoas com MND (pwMND) na Escócia desde 1989. Mediana de sobrevivência em uma coorte escocesa (n = 433, diagnosticada 1989-2014) foi de 2,1 anos a partir do diagnóstico [1]. No entanto, a faixa superior de sobrevida foi de 25,8 anos.

 

Antecedentes: O Riluzol provou prolongar a sobrevivência da ELA em estudos controlados e observacionais aleatórios. Uma recente re-análise dos dados dos ensaios com Riluzol sugere que o medicamento prolonga as fases posteriores da ELA.

Objetivos: Estimar o efeito do Riluzol nos riscos de transição entre os estágios de ELA usando uma abordagem de modelagem de Markov.

Métodos: Os pacientes do conjunto de dados PRO-ACT foram estagiados a partir de respostas ALSFRS-R empregando três métodos (King’s, MITOS e FT9; FT9 é um método inovador que se organiza pelo número de sub-escores ALSFRS-R ≤ 9 pontos). Markov modelos multiestados foram construídos. As razões de risco associadas à exposição ao Riluzol foram estimadas para cada transição para a frente entre fases, após ajuste para a idade e inclinação ALSFRS-R no início. Análises adicionais em uma coorte de escore de escore de propensão também foram realizadas.

Resultados: Dos 1.903 pacientes da coorte analisada, a grande maioria (1.587) recebeu Riluzol. Os doentes que receberam Riluzol sobreviveram um pouco mais do que os que não receberam (mediana de 22,9 meses vs. 18,2 meses a partir do momento da observação inicial, classificação logarítmica p = 0,16). Após ajuste para idade e inclinação ALSFRS-R no início, o Riluzol reduziu significativamente o risco das seguintes transições: (1) estágios de King: 1-> 2 (HR 0,80), 2-> 3 (HR 0,82), 4-> morte ( FC 0,53), (2) estágio MITOS: 3-> morte (HR 0,30) e (3) estadiamento FT9: 1-> 2 (HR 0,84), 3-> 4 (HR 0,71) e 4-> morte ( HR 0,67). Tendências semelhantes foram observadas com coortes de escore de propensão.

 

Discussão e conclusões: Esta análise dos dados observacionais existentes encontra um efeito benéfico do Riluzol que não está exclusivamente em estágios posteriores da ELA. Além disso, o estágio mais beneficiado é sensível ao método de estadiamento utilizado. Esse arcabouço analítico que emprega métodos de estadiamento pode ser útil (1) para análises de custo-utilidade refinadas e (2) para verificar se o benefício do tratamento nos estágios iniciais é sustentado em fases posteriores.

Um dos temas discutido foi “É a ELP – Esclerose Lateral Primária um tipo de ELA ou é uma entidade à parte?” Dois pacientes de ELP ali presentes, tiveram a oportunidade de participarem e tirar suas dúvidas.

ELP é uma doença neuronal motora rara de necessidade não atendida. No futuro, os ensaios clínicos em ELP precisarão ser considerados. Nossos estudos mostram que o atual ALSFRS-R de 48 pontos é muito insensível na detecção de mudanças ao longo do tempo em ELP, que progride em um ritmo muito mais lento do que o ALS. A este respeito, desenvolvemos uma nova escala PLSFRS de 68 pontos, modificando o ALSFRS-R existente [1]. A consistência interna do PLSFRS, a validade de construto, a confiabilidade intra e interavaliadores e a confiabilidade do teste-reteste por telefone foram totalmente estabelecidas em pacientes com ELP.

 

Dia 09/12

O declínio da função pulmonar é um indicador importante da necessidade para uso da VNI. O estudo foi realizado para detectar qual medida é mais importante para avaliar o declínio da função respiratória. No estudo a perda mais importante foi da força muscular expiratória. Foi colocado pelos moderadores que outros estudos devem ser realizados para confirmar este achado.

A capacidade vital forçada é um exame fundamental para detectar a velocidade de progressão da doença. Alguns pacientes têm dificuldade de realizar a avaliação e por isso, estudo realizado avaliou se existe diferença entre o exame feito de forma lenta ou rápida. O resultado demonstrou que não existem diferenças e a avaliação da capacidade vital lenta pode ser usada como preditor de progressão da doença.

O uso da ventilação não invasiva e um predito muito forte da sobrevida. A revisão realizada com mais de 4000 papers mostra que é fundamental monitorização continua e que mais trabalhos devem ser realizados para avaliar pontos que devem ser reforçados para profissionais e cuidadores. Determinar o impacto que o tratamento com treinamento muscular inspiratório e expiratório pode melhorar a capacidade de tosse em pacientes com ELA. Os resultados apresentaram diferenças significativas no aumento da força muscular respiratória inspiratório e expiratória, e no pico de fluxo de tosse!

 

A palestra sobre traqueostomia apresentou um estudo de coorte em 122 pacientes e analisaram a sobrevida e os efeitos da realização da traqueostomia. O objetivo do estudo foi avaliar a sobrevida e entender os motivos da traqueostomia não esperada. Como conclusão a autora observou muitas traqueostomias são realizadas desnecessariamente, a falta de conhecimento médico para entender que a traqueostomia será feita para aumentar a sobrevida e o paciente deve indicar ao familiar o qual é a sua decisão quanto à traqueostomia.

 

Os pacientes com ELA sofrem de grandes defeitos no metabolismo energético. Vários estudos apontam agora para a perda de peso que ocorre até várias décadas antes do diagnóstico. Mais importante ainda, a extensão da perda de peso, bem como uma série de outros parâmetros metabólicos, tais como lipídios no sangue ou distribuição de gordura, estão bem correlacionados com a sobrevivência e / ou função em pacientes com ELA. Estudos experimentais em modelos animais apoiam ainda mais a visão de que a intervenção nutricional pode ser útil para retardar a progressão da doença, e uma prova de conceito foi fornecida em pacientes. Evidências recentes sugerem que defeitos no metabolismo energético estão associados e podem ser causados ​​por defeitos estruturais e funcionais em núcleos hipotalâmicos controlando a homeostase energética. Mais estudos são necessários para identificar vias que poderiam ser farmacologicamente direcionadas para combater a perda de peso e, esperamos, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com ELA.

Um dos temas mais importante do Simpósio que reforça o trabalho que a Pró-Cura vem fazendo para manter seus pacientes bem nutridos. É de extrema importância evitar a perda de peso nesses pacientes, uma vez que o gasto energético é muito grande, isso requer um suporte calórico e energético imediato e o profissional nutricionista tem que ficar atento a essa necessidade. Perda de peso de até 5% da massa corporal já é sinal de alerta, fundamental ficar atento a isso.

 

E para finalizar, um trabalho sobre exercícios físicos e ELA, apesar dos benefícios de saúde bem estabelecidos da atividade física (AF), um estilo de vida de alta atividade também pode estar associado a um risco elevado de ELA / DNM. Relatos de um aumento da incidência de ALS / MND em esportistas profissionais estimularam a pesquisa nesse campo. Sob condições fisiológicas, o PA aumenta os mecanismos conhecidos por contribuírem para a fisiopatologia da ELA / MND e pode regular positivamente a expressão de genes associados à DNM.

A resposta transcricional adaptativa de neurônios motores e músculos ao exercício voluntário foi investigada em roedores [1]. Os neurônios motores respondem à atividade física ativando as mudanças transcricionais envolvidas na sinalização do fator neurotrófico, alterações eletrofisiológicas, reorganização sináptica, juntamente com um plano transcricional complexo. O músculo gastrocnêmio responde ao exercício aumentando a expressão de transcritos responsáveis ​​pela neovascularização e miogênese. Ambos os tecidos apresentam alterações transcricionais envolvidas no crescimento e reforço da junção neuromuscular. Em resposta a altos níveis de atividade física, o sistema neuromuscular claramente sofre alterações estruturais e funcionais significativas para otimizar a transmissão de estímulos químicos e elétricos e promover o crescimento axonal.

O fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) é um fator neurotrófico normalmente regulado positivamente em resposta ao estresse do exercício físico. Uma incapacidade de montar a resposta completa do estresse fisiológico pode ser um fator subjacente à vulnerabilidade do sistema neuromuscular. Um exemplo disto é o ratinho VEGFδδ transgénico em que o elemento de resposta à hipoxia do promotor de VEGF foi eliminado. Esses camundongos têm níveis basais normais de VEGF – mas não regulam o VEGF em resposta ao estresse e desenvolvem patologia de ALS / MND na vida adulta [2]. Isso destaca a possibilidade de que a suscetibilidade genética seja provavelmente importante para sustentar uma resposta fisiológica ou fisiopatológica da AP no sistema neuromuscular.

 

Evidências epidemiológicas na literatura produziram evidências conflitantes sobre se altos níveis de exercício físico representam um verdadeiro fator de risco ambiental para o desenvolvimento de DNM. Muitos estudos epidemiológicos têm sido metodologicamente sub-ótimos, por exemplo, na escolha de uma população de controle, no uso de questionários não validados e pesquisas postais em vez de entrevistas face a face [3]. Um estudo tentou superar algumas dessas limitações, desenvolvendo um questionário de PA projetado especificamente validado para obter dados precisos históricos de atividade física ao longo da vida [4]. A implantação deste questionário em 175 casos esporádicos de ELA e 317 controles em entrevistas face a face demonstrou que a participação em um extra de 10kJ / kg / dia de PA (equivalente a aproximadamente 45 minutos de caminhada rápida) foi consistentemente associada a um aumento do risco de ELA. associação mais forte observada para PA relacionada ao exercício adulto (OR 1,47, IC 95% 1,10-1,97).

Esta apresentação irá rever o balanço de evidências para um estilo de vida de alta atividade como um potencial fator de risco ambiental para ALS / MND e potenciais direções futuras de pesquisa serão destacadas.

 

Assim termina esse grande evento que reuniram mais de 40 países em busca de um só objetivo, que é a cura da ELA, momento único onde o paciente de Esclerose Lateral Amiotrófica é o centro das atenções de mentes brilhantes engajadas em fazer um bom trabalho, analisando os resultados dos trabalhos apresentados nesse Simpósio, podemos observar que essa cura é possível e está bem próxima.